Perversões

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Gato à janela

Da janela da sala consigo ver o quarto dos meus vizinhos da frente. Sem estores, cortinados, apenas uma árvore, que agora no Outono se exibe desnuda de folhas. O sol esconde-se e o pudor adormece debaixo de uma rocha. O meu gato preto na escuridão da noite é invisível e apenas os olhos verdes brilham como esmeraldas.

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Ferrugem e cerveja

– Ontem levei aquela miúda para casa, nem sabes o que aconteceu!- diz J. P. quanto dá um trago rápido e desastrado na média. A cerveja escorre pelo queixo e ao tentar limpar-se com a palma da mão, a mesa treme e a carica cai no chão.

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Troca de camas

As camas são-me incómodas quando, pela primeira vez, indefeso como um recém nascido, procuro o conforto de um ventre que me acolha e que me autorize a pernoitar na segurança maternal que nos persegue como uma sombra. Mas o conforto não está lá ou ainda não se criou. Os contornos do colchão, da almofada, a textura dos lençóis, tudo isto na pele nua do Homem, é doloroso e sem sombra de dúvida que o cetim sabe a lixa e que o suor é sangue de morto.

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a sombra da maçã de Adão

à noite quando não tenho sono nem vontade de me deitar, olho um espelho que tenho na sala e tento perceber o que me reflete. gosto de imaginar que mostra quem realmente sou, que a luz, mesmo fraca e sem osso, consome na totalidade cada poro, cada pêlo, cada ruga, todas as imperfeições, revelando a beleza da Mulher.

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Quatro e oitenta

Quatro e oitenta As lâminas prateadas, jazem desordenadas na gaveta. A cadeira é a mesma onde o velho Gabriel, cauteleiro de profissão e algarvio desde nascença, se senta todas as quintas feiras para desfazer a barba já grisalha.As conversas, são rotineiras e com o tempero característico, vagueando entre futebol, política e mulheres (as jovens, as maduras, as beatas e as de má vida).

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