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Perversões

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O desejo do condenado

Em Portugal não existe pena de morte, mas por vezes imagino como seria essa realidade. Abrir o jornal e um cabeçalho enorme nas páginas centrais: “O desejo do condenado”. Seria um artigo sobre o seu último desejo, antes da pena capital ser aplicada.

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Madalena

No vazio dos dias em que não trabalha, os longos banhos com sais confortam o corpo usado. Gosta de sentir o perfume que purifica os pulmões. Sentir a suavidade da pele do joelho, da virilha, dos seios, tocar-se sem pressas, e sentir de novo o Prazer. E é nesta paz de espírito que Madalena recarrega a energia necessária para, noite, após noite, agradar os Homens.

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Abençoado (a minha benção)

Comecei muito novo.

Tinha dez anos quando vesti a batina e ajudei na missa. O acólito bem comportado que segura a bandeja prateada por baixo da boca dos fiéis, tendo como missão não deixar que, em caso de erro de fé, a Hóstia caia pecaminosamente no chão. Vestes brancas presas por uma corda.

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A noite passada

A noite passada J.P. acorda, é Vítor quem telefona.Quando atende ouve do outro lado da linha os gritos quase histéricos do camarada de noitadas e engates fáceis.

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Rosa

Rosa é advogada e vive perto do Rossio. É uma jovem mulher com pouco mais de 30 anos que partilha casa com uma sexagenária viúva, triste e com um pesadelo na vida ao qual chama Filha. Ambas aprendem uma com a outra os mistérios da Felicidade. Gosto muito da Rosa. É delicada, bonita, inteligente e tem tudo para ser uma mulher feliz, no entanto, guarda um segredo que em segredo me contou quando, certa noite, decidimos trocar promessas e juras de fidelidade.

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Quando conheci o Marquês

A calçada da Praça do Comércio estava escorregadia como a pureza de uma jovem mulher excitada. Bebemos um café e um bagaço antes de visitarmos a sua Masmorra, que sita no Príncipe Real. Falou-me da sua família e de como o Rei havia homenageado um seu antepassado com um brasão, palacetes e montados alentejanos.

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A fadista de Alfama

O despertador toca às sete e a ressaca atinge-me como um relâmpago, a sede, a fome, a vontade de mijar, tudo condensado em arrependimento. Não tenho nada decente para comer, apenas uns ovos, bacon e um pedaço de pão ao qual removo o bolor. A ressaca é um parasita que se alimenta das nossas fraquezas e ignorância, cresce e fortalece-se com Erros, Borgas e outras distrações.

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Gato à janela

Da janela da sala consigo ver o quarto dos meus vizinhos da frente. Sem estores, cortinados, apenas uma árvore, que agora no Outono se exibe desnuda de folhas. O sol esconde-se e o pudor adormece debaixo de uma rocha. O meu gato preto na escuridão da noite é invisível e apenas os olhos verdes brilham como esmeraldas.

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Ferrugem e cerveja

– Ontem levei aquela miúda para casa, nem sabes o que aconteceu!- diz J. P. quanto dá um trago rápido e desastrado na média. A cerveja escorre pelo queixo e ao tentar limpar-se com a palma da mão, a mesa treme e a carica cai no chão.

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Troca de camas

As camas são-me incómodas quando, pela primeira vez, indefeso como um recém nascido, procuro o conforto de um ventre que me acolha e que me autorize a pernoitar na segurança maternal que nos persegue como uma sombra. Mas o conforto não está lá ou ainda não se criou. Os contornos do colchão, da almofada, a textura dos lençóis, tudo isto na pele nua do Homem, é doloroso e sem sombra de dúvida que o cetim sabe a lixa e que o suor é sangue de morto.

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