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Perversões

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Istambul

Na segunda-feira, a chuva massacrava lentamente as cabeças, os ombros e tudo o que se lhe atravessava pela frente (ou por baixo). João Peixe, ensopado em monotonia, no seu apartamento na Graça, preparava-se para ir à caça. A companhia de uma nova mulher seria perfeito para colorir o cinzento do dia.

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Cacos de vidro

Cacos de vidro O namorado dela trabalhava numa fábrica de garrafas de vidro. Tinha também o dom de fomentar as conversas mais monótonas e chatas que se possam imaginar. Sinceramente eu não estava muito interessado em saber, em pormenor, o processo de produção de vidro, garrafas, caricas e o raio que o parta. Mas naquela noite, tal como havia prometido a mim mesmo, iria investir, melhorar, aprimorar as minhas competências sociais e de boa camaradagem.

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Cinema e cenas

Ela havia estudado cinema numa Universidade privada; aos 24 anos de idade trabalhava como empregada de balcão no cinema. A primeira vez que a vi reparei no seu cabelo, longo e castanho, com uma franja milimetricamente cortada e que desenhava uma reta horizontal, mesmo por cima das sobrancelhas.

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Sempre tua

Decidi comprar o bilhete mais barato para fora da Europa e deixar-me ir para algures em África. Algures onde o sol é quente demais para as lágrimas escorrerem nas faces. A meu lado um sujeito alto, negro e trajando um fato típico de empresário do mundo financeiro, lia um dos jornais facultados pela hospedeira de bordo.

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Sem título

- Está mole.

- Espera, deixa-me chupar-te – colocando-se de joelho junto a ele, salivando e cuspindo na mão.

Algumas lambidelas e reflexo de vómito depois:

- Anda, vem para cima de mim – pede ele já sentado numa poltrona de cabedal negro.

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Ver os navios passar

Perto da estação de Santa Apolónia, um grande navio atracado, impunha o respeito que um gigante merece quando concede a sua presença na cidade dos cacilheiros. Para além do sentimento de admiração e fascínio, tive uma revelação! Qual vidente iluminado? Autêntico messias de fim-de-semana! Nesse preciso momento, uma miúda, minissaia de riscas pretas e brancas, e que cobria apenas parte das suas coxas torneadas e morenas, cruzou o meu caminho de mão dada com um jovem rapaz.

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Memórias e cerejas

Memórias e cerejas Amadureci mais um ano, e parece que agora sinto os efeitos secundários. O fascínio tem vindo a diminuir, a intensidade das relações é mais fraca, como se as emoções e afetos se mantivessem num banho-maria que por vezes arrefece drasticamente. Outro dia recordei-me de uma situação que vivi faz agora uns quinze anos.

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Solestício

Solestício - Eu quero é que o solstício se foda - gritou e atirou o copo contra o retrato de Luiz Pacheco que mantenho pendurado numa das paredes da sala.

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marcado no tempo

Sonhei que era minúsculo e encontrava-me rodeado por um vazio imenso. Um vazio cheio de nada. O propósito da existência tornou-se algo vago, sem sabor e sem cheiro, sem frio e sem calor. Apenas um vazio onde existe angústia e um sentimento de procura incessante. Uma ausência de ritmo. Os sentidos apurados enganam.

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Período da mudança

Período da mudança Desde que cheguei, no início da semana, o sol não brilha. O constante lençol branco que cobre a cidade é também frio como as mãos de Karolina. O ar é poluído. As pessoas, fotocópias de um estereótipo politicamente correto, agasalham-se do frio instintivamente. As mulheres são deusas danificadas pelo ambiente e pela vida na cidade.

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