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Perversões

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Bicho feio (tributo a Kafka)

- Perante as provas apresentadas, não tenho outra solução senão condená-lo ao cárcere... eterno - e as 3 pancadas soaram na sala onde o suspiro do condenado não foi sentido. Foi assim que começou.

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A bem suada

As boas histórias acontecem de noite. Pois bem, esta, nem por isso... talvez nem seja uma boa história. Passa-se numa tarde de verão bastante quente, daquelas que são envoltas em ondas de calor, vindas dos desertos longínquos de África.

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Voaram juntos

Quando já passava das dezassete, Artur entrou no balneário. Estava vazio e fresco, como se o sol não tivesse visitado aquela sala durante todo o dia. Ele estava cansado. Havia passado longas horas lá em cima, de asas bem abertas, a planar pelos céus. Nesse momento, o mundo torna-se pequeno e a curvatura do planeta é a fronteira que o recorda da existência de limites.

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Vida desperdiçada

Um sorriso que apenas se esboça nos lábios, pois os olhos, mantêm-se inalterados na inexistência da felicidade apregoada. É este o seu semblante. Começa pela manhã, com pequenos rituais, cujo efeito esperado é a harmonia com os astros. O sumo de limão com um pouco de água é bebido lentamente seguido dos dez minutos de meditação. É uma pesada penitência, a de de manter a imagem de humano, cuidadosamente trabalhada no espelho. A pele da face que envelhece e desenvolve pequenas rugas, tal como terra lavrada.

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O Inspector

Nos dias em que fica de prevenção as cigarrilhas são sempre poucas. A personalidade adaptou-se ao ambiente, tal como areia fina, que procura a sua zona de conforto numa garrafa de vidro. O Inspector é um tipo frio e perfeccionista; obcecado pelas regras, fiel crente da acção reacção, detesta o acaso. Consegue perceber, pelo tom do vento, qual a direcção em que o crime se desloca. Aos quarenta e cinco anos, nunca se entregou, na totalidade, a uma mulher. Teve amores intensos, dos que abanam alicerces e fazem vizinhos e transeuntes invejarem a luz que emanam, no entanto, nunca disse um “Eu amo-te”.

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Beija flor

Era um vez um homem. Um homem muito Homem. Vivia sozinho e sem plantas. Nem um alho germinado, pois apodreciam antes de gerar o talo branco e verde - o mesmo acontecia às cebolas. Não era infeliz, apenas Era.

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Revolução
Podcast

Na noite em que a revolução estava marcada a minha ânsia de liberdade era diminuta. Por vezes o sentimento de clausura é desejado, tal como uma ave, que se cobre com as asas e adormece num casulo de penas. Indiferente ao que sinto saiu de casa.

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Violeta

Violeta, tinha uns lindos olhos, maquilhados em tons lilás. Os seus seios, jovens e firmes, delicados e encantadores, despertavam nos homens um desejo de proteção. Diria mesmo que, no fundo do inconsciente, as mazelas freudianas com as quais todos nascemos e vivemos, sobressaiam à flor da pele. A sua - a pele - era de brancura imaculada, assemelhava-se a lençóis virginalmente brancos e perfumados.

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Espirros e balelas

Bebemos e dançámos até às três da manhã. Não estávamos bêbados.

Quando o silêncio ocupou o lugar da música, pedi-lhe um cigarro e um beijo. Um beijo no canto da boca como que numa provocação acidental. Sorrimos. Dissemos adeus.

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Pensos rápidos

Não fico horas em frente destas folhas em branco. Arranco as palavras como um penso rápido. A ferida não sarou, mas isso não impede que esteja disposta a suportar a dor. Rápida e voraz. Nervos excitados e pele dorida. Essa é a forma como vivo. A vida deve ser assim. Rápida e com pequenas pontadas de dores que nos dilatam as pupilas. Há quem diga até que é uma droga, uma droga viciante mas não sustentável. Não pensaremos no seu fim, nem no limite de tempo que dispomos, até que a trip passe.

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